A sociedade, a meu ver, tem entrado em degradação. Até aqui, todos eram felizes com o seu espaço. Os mais abastados eram felizes nos seus grandes palacetes, iam de descapotável para as suas grandes empresas e os filhotes ficavam nos colégios mais prestigiados durante todo o dia. À noite, viam os seus programas favoritos no plasma e ao fim de semana, quando estava bom tempo, iam para o Algarve dar um chamado de «modesto» passeio. Os não tão abastados, porém, eram felizes com as suas casas granditas, iam de automóvel para os seus importantes empregos e os respectivos filhos ficavam no liceu público. À noite, chegavam a casa, jantavam e viam televisão até ser hora de ir para a cama. Nos dias de hoje, apenas te sobram duas hipóteses: os ricos, que são felizes e os pobres que sonham o dia todo. Caracterizar os pobres é fácil: pensam o dia inteiro se vão conseguir emprego no próximo jornal que conseguirem comprar com as pequenas poupanças, jantam latas de atum que já estão contadas até ao final da semana desde que entraram para a despensa e, antes de dormirem, ligam a televisão para assistirem à vida dos ricos. De manhã, esperam pelo autocarro na paragem mais próxima ou esperam pelo vizinho com bom coração que lhes vai dar boleia, levam as crianças ao infantário e prometem à auxiliar que ainda esta semana pagam as mensalidades que têm em atraso. A sociedade não me satura porque, como tentei demonstrar, ela não é muito linear. A sociedade indigna-me porque, tal como referi acima, é demasiado incoerente.

DanielaPeralta

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